30/09/2008


Meu caminho pelo mundo
SERRA NEGRA
ÁGUAS DE LINDÓIA


Usando as palavras da tribo,
Stefhane Mallarmé,
eu aceito a minha velhice
com a sua profusão de rugas
e dizeres brancos

Hoje não preciso medir o quadril das palavras,
nem mesmo lançar espigas de chumbo
sobre os meus velhos ombros

Talvez Mário Faustino não aprove
uma única letra de meu esforço;
eu também tenho as minhas ressalvas

O papel do poeta nesse mundo é denso,
levaria centenas de rios para explicá-lo
Por hora usemos tiras de papel de seda
para compor um campo magnético admirável

edu planchêz






ANJOS TORTOS

Mário Quintana diz pertencemos a uma família poética, nos identificamos com aqueles que dizem o que o nosso coração precisa ouvir. Eu amo o futuro tal o fez Maikoviski. Respeito a todos, mas eu tenho minha família, A NAÇÃO INVISÍVEL que se espalha por o todo o LOGOS.


FOME DE VIVER

Considero-me um irmão do mundo. A princípio todos são meus amigos. Sou um homem público, minha vida não tem segredos. Prefiro ser amigo dos que tem fome de viver; dos ousados, invencíveis,sem fronteiras.


EDU PLANCHÊZ


CIDADE DAS PALAVRAS

( Dedicado a Carlinhos Almeida )






Faz dias que não escrevo minha proposta literária e de um ou mais texto por dia inundando os blogs e caixas postais de todo mundo. Não posso começar um texto nesta semana sem falar no poesia no prato... Que é o começo de mais um movimento na minha vida cultural... É o primeiro sarau que participo que alimenta o corpo e alma... Graças ao casal de poetas Zenilda Lua e Reginaldo Poeta Gomes... Venho a vidas e mais vidas participando destes sarais nas mais valiosas recorrências... Após um inverno rigoroso que passamos na Cidade das Palavras eu e o guerreiro Marcelo Planchez. Agora cada um de nós segue sua jornada profetizada por Solfidone... Agora estou feliz faço novas amizades nestes saraus... .como Zenilda e Reginaldo e a doce princesa Vanessa Alves.

Que conheci em um dos Sarais hoje a noite tem o sarau maldito de Beatriz Galvão no Hocus Pocus esta cidade esta se incendiando ainda somos poucos... Mas tudo é um grande circulo... A minha editora está se viabilizando só me falta seiscentos reais para lançar cinqüenta livros do Retinas e meu segundo livro está em fase de revisão não posso reclamar de dois mil e oito.

Tudo está aconcetendo...algumas amizades abaladas mas somos artistas temperamentais. Até com Diogo Gomes meu mestre da sétima arte to me reencontrando...sem falar na parceria cinematográfica com Rynaldo Papoy um amigo encontrado na internet...E que está na terceira versão de um roteiro que será filmado em janeiro de dois mil e nove...nesta cidade.

Ontem numa livraria encontrei um titulo de livro chamado Cidade das Palavras ainda não há livros nossos nas grandes livrarias, mas é só questão de tempo... E muito suor... Edu Planchez já se entrega a cena nacional com seu grupo de poetas cariocas... Tudo flui é o universo nos prestigiando Lasdilau se foi sua obra ficou... Ir-nos-emos , mas nossas obras ficarão...

Entrando no clichê viva Cesário Verde...que começo a ler. Marçal Aquino nos falou leiam os clássicos principalmente os Russos seguirei sua dica...Tó indo que estrearei minha saia colorida no sarau desta noite...mas sem nenhum exagero...em breve sai o quarto cd de poetas joseenses...Iniciado com Marcelo ...e hoje com minha produção ...

Vou me indo mas não se esqueçam votem PT votem 13...O Lula está fazendo um governo como se nunca viu na história deste pais...Só estou sem trabalho formal porque a minha missão é a cultura e não posso me omitir ...Aqui em SÃO JOSÉ DOS CAMPOS é Carlinhos de Almeida para prefeito...Wagner Balieiro vereador...Cosme Vitor e Angela Guadagnim no mais sorte a todos...Vamos que o trem bala logo chega....





Joca Faria



Editora Mundo Gaia
Literatura, Filosofia e arte...


www.mundogaia.com.br

Confiram o site de artes WWW.entrementes.COM.BR
foto: meu querido mestre do espírito humano DAISAKU IKEDA


Bom dia: palavras pequenas que me unem a vida que acorda, em mim, no pedaço de floresta que brinda a nossa janela... Bom dia: o gato corre, a curuja pia, o escorpião se arrasta por dentro da arenosa toca em plenas areias do deserto...

http://www.vertex.com.br/users/san/budismo5.htm (introdução ao budismo)

BOM DIA!!!!!

edu planchêz


UM PROFETA ANUNCIADOR
( por Jorge Mautner )

"Esse poeta é como sua vida.
É um Neo kaótico Romântico
sicretizador e sintetizador
de lirismos tropicais
e pré e pós tropicais.
O que mais me impressiona
é que em suas canções-poesia
existe igual influência
de todas as suas vivências
pelos interiores
e pelas megalópoles
do Rio de Janeiro e de Sampa.
Ele é um profeta anunciador um panfletário
que retoma a grande tradição da poesia
recitada interpretada e cantada em público,
como cerimônia de jazz.
Edu Planchêz utiliza inspirações que vão
do mais profundo caipirismo e sertanismo,
até o mais absoluto futurismo anunciador
da Nova Era.
Ele é um dos mais importantes e ativos
arautos da revolução humana cultural
do Brasil Universal.

JORGE MAUTNER
Poeta, filósofo,
profeta que segundo Caetano Veloso
"Rachou o seu crânio para o mirabolante
Anjo do Impossível entrar".






banda
B L A K E R I M B A U D
poesia elétrica primitiva

Um poeta cantor e três músicos, uma família que se encontra na vida e no palco sob o signo do visceral para saudar o existir, questionar os valores vigentes, bradar por justiça, liberdade, consciência e atitude.
Edu Planchêz, poeta seguidor da tradição dos grandes poetas visionário integra essa banda de “poesia elétrica primitiva” pelo puro prazer de derramar sobre a sensibilidade das pessoas tonéis de poesia, usando para isso a voz e a engenharia sonora dos irmãos músicos. As canções de autoria de Edu Planchêz e parceiros é um convite ao intenso, ao deliro e a reflexão. Armados de um Rock hibrido desconcertante, com toques do maracatu, do blues, de cantos indígenas e outros sons da terrestres, essa banda eficiente, durante uma hora e quarenta e cinco minutos, vai abrindo os portais da literatura universal e do auto-conhecimento, sem deixar de lado o furor urbano, a profecia, a ode a natureza interna e externa.
“O POETA É A ANTENA DA RAÇA”!
“As flores vicejam mais nas páginas dos poetas
do que nos jardins verdadeiros।”

Sob o signo da transformação e do delírio nasceu a banda de poesia elétrica primitiva BLAKE RIMBAUD, banda essa criada por Edu Planchêz poeta cantor ativista, seguidor dos mestres visionários da poesia, da filosofia e da música. Edu Planchêz também integra o grupo “Voluntários da Pátria”, grupo esse criado pelo cantor compositor Tico Santa Cruz, (vocalista da Banda Detonautas) e um grupo de poetas formados por Tavinho Paes, Betina Koop, Igor Cotrin, Glad Azevedo, Pedro Poeta, Bayard Tonelle, Leprevox, Tiago Mocotó, Marcelo Melo, Jean Queiroz entre outros. Edu Planchêz está em turnê com o Voluntários da Pátria viajando por todo o Brasil, levando música, poesia e reflexões coletivas. “Os Voluntários da Pátria” ficaram conhecidos por organizarem atos publico pelas ruas do Rio de Janeiro e em outras cidades com o intuito de despertar a consciência e o questionamento. A Banda de poesia elétrica primitiva BLAKE RIMBAUD, foi criada no ano de 2003 tendo a sua primeira formação composta por músicos da cidade de Jacareí estado de São Paulo. Edu Planchêz mudou-se para o Rio de Janeiro no ano de 2004 com a intensão resgatar a carreira e conseguir novos músicos para compor a BLAKE RIMBAUD. Edu Planchêz participa da vida cultural do Rio de Janeiro e do Brasil a quase três décadas, formando bandas, fazendo recitais, criando movimentos, ongs, coordenando comissões de literatura, sendo conselheiro de Fundações Culturais, publicando livros de poesia, enchendo as páginas da internet de arte e loucura, caminhando pelas ruas por puro prazer.

A Blake Rimbaud está determinada a tomar seu lugar na cena Brasileira e mundial, porque merece tal expansão। A Blake Rimbaud é fruto do trabalho, do estudo, da pesquisa e do talento. Certamente estampará seu nome com grandes letras de fogo e poesia por todas as páginas e palcos do mundo vigente.

Banda de poesia elétrica primitiva

B L A K E R I M B A U D

Edu Planchêz- voz
Guilherme Azevedo- guitarra
Sombyró- baixo
Dudu Lessa- bateria

Contatos para shows, matérias e entrevista:
Tels: (21) 9766-06-32 (21) 3233-10-53
E-mail: eduplanchez@yahoo.com.br
www.myspace.com/eduplanchez

29/09/2008

na foto, a poeta Tassia Prado

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Uma casa

Ao longe vê-se uma casa
entre as árvores, bela
não se sabe sua cor!
Parece ser suave.
As árvores
passam tranquilidade
Chegando mais perto
a casa que era bela
passa medo
a tranquilidade
o pânico
a suavidade
o terror
as árvores
que pareciam ser vistosas
são secas.
O canto dos pássaros
que parecia ser belo
trona-se pranto.
O que parecia ser alegre
agora... é triste!

Tassia Prado
23.06.99

foi um poema ou sei lá.. pensamentos que escrevi em um momento q todos m viam como forte bela e formosa mas eu naum m via assim..
sei lá.. todos tem seus momentos d tristeza.. rsrs

beijos

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Menino de Rua


Passando fome
Passando frio
Sem casa ou
Outra moradia
Exposto aos males dessa vida

Sem educação
Trabalhando
Ganhando um trocado
Para comprar pão

Experimentando drogas
Pois ninguém lhe deu
Informação
Álcool , cola, benzina
Maconha e cocaína
São suas preferidas

Este é o menino de rua
Que fica pedindo trocado
Um pedaço de pão
Que dorme nas esquinas
Que não tem educação
Que morre de frio
Que morre de desidratação



Este é o menino de rua
Que cheira cola
Que fuma maconha
Que começa com benzina
Que morre com cocaína

Este menino de rua
Que não recebeu educação
Que não tem informação
Que é tratado como cão
Não recebeu compreensão

E pela falta de amor
Pela falta de carinho
Prefere ficar sozinho

Sua única opção
É a rua
Onde é explorado
Onde é induzido a roubar
Onde não tem uma boa formação

Sem apoio
Vai morrendo aos poucos
Morrendo de fome
Morrendo de frio
Morrendo de overdose
Morrendo por causa da
Ignorância da população
Do Brasil.


Tassia Prado



Os dez estados de vida


O budismo ensina que o ser humano experimenta a cada instante de sua existência dez condições ou estados de vida. Esses estados, classificados como Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bothisattwa e Buda, descrevem as sensações subjetivas experimentadas pelo “eu” no âmago da vida.
No escrito “O objeto de devoção para observar a mente, estabelecido no quinto período de quinhentos anos após o falecimento do Buda”, Nitiren Daishonin explica que raiva é ‘estado de inferno’. A pessoa, quando dominada pelo impulso da raiva, é levada a destruir a si e aos outros. É quando essa pessoa experimenta sofrimento e desespero extremos.
A ganância é o ‘estado de fome’. A pessoa é dominada por desejos egoístas e ilimitados de riqueza, fama e prazer, os quais nunca são realmente satisfeitos.
A insensatez é o ‘estado de animalidade’. Nesse estado, a pessoa vive em função de seus desejos e pulsões, sem ter sabedoria para se controlar.
A maldade é o ‘estado de ira’. Apesar de ter consciência do próprio “eu”, a pessoa mostra-se egoísta e não consegue compreender as coisas como elas são exatamente e menospreza e viola a dignidade dos outros.
A serenidade é o ‘estado de tranqüilidade’. Nesse estado, a pessoa consegue controlar temporariamente os próprios desejos e impulsos fazendo uso da razão, levando uma vida pacífica, em harmonia com o meio ambiente e com as outras pessoas.
Daishonin diz que a felicidade é o ‘mundo da alegria’. É uma condição de contentamento e alegria dos sentidos quando a pessoa se liberta do sofrimento e satisfaz algum desejo.
Esses seis primeiros estados, de Inferno a Alegria, são manifestados por meio de impulsos ou desejos, mas não totalmente controlados pelas restrições impostas pelo ambiente e são também extremamente vulneráveis às circunstâncias instáveis.
O ‘estado de Erudição’ é uma condição experimentada quando a pessoa se empenha para conquistar um estado de contentamento e de estabilidade duradouros por meio da auto-reforma e do desenvolvimento. É o estado no qual a pessoa se dedica a criar uma vida melhor pelo aprendizado das idéias, conhecimento e experiências tanto dos predecessores quanto dos contemporâneos.
O ‘estado de Absorção’ é semelhante ao estado de Erudição. Contudo, o que os distingue é que no estado de Absorção tenta-se compreender o caminho da auto-reforma por meio da observação direta dos fenômenos e não pela realização de seus predecessores.
Bodhisattwa é um estado de compaixão em que o indivíduo devota-se à felicidade do outro, mesmo que, para tal, tenha que fazer sacrifícios. As pessoas nos estados de Erudição e Absorção tendem a carecer de compaixão, chegando a extremos na busca de sua própria perfeição. Em contraste, um bodhisattwa descobre que o caminho para a auto-perfeição encontra-se unicamente na compaixão, ou seja, no desejo sincero de salvar o outro do sofrimento.
Buda é uma condição alcançada quando se obtém a sabedoria para compreender a realidade máxima da própria vida, a infinita compaixão para direcionar constantemente as atividades para objetivos benevolentes, o eu eterno perfeito e a total pureza da vida que nada poderá corromper.
É uma condição experimentada nas profundezas do próprio ser ao se empenhar continuamente com benevolência na vida quotidiana. Em outras palavras, o estado de Buda aparece na vida diária com as ações de um bodhisattwa – boas ações e atos benevolentes.
De acordo com o princípio budista dos Dez Estados de Vida, as pessoas têm a tendência básica de permanecer mais em um ou mais estados e ela determina o nível de vida da pessoa – baixo, intermediário ou elevado. Quando a pessoa começa a elevar sua condição de vida por meio de recitação do NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, inicia-se seu processo de transformação de vida ou revolução humana.
O propósito da prática do Budismo Nitiren é elevar a condição básica da vida e estabelecer o estado de Buda como estado fundamental. Mas isso não significa que os outros nove estados não se manifestem, pois eles são essenciais na vida de todo ser humano. Afinal, somente uma pessoa que já experimentou o inferno em vida pode entender o sofrimento alheio. Sem os impulsos básicos, representados pelos estados de Ira e Animalidade, o ser humano também não se esforçaria nem para obter comida e abrigo nem para reproduzir. Assim, estaria comprometendo a perpetuação da espécie humana na terra.
A diferença é que esses estados inferiores não mais controlarão a vida dessa pessoa e se tornarão aspectos benéficos para ela e para as pessoas ao seu redor, como no exemplo de manifestar o estado de Ira para importar-se e lutar contra as injustiças sociais.


Artigo baseado em Fundamentos do Budismo (2004).
Meus mestres queridos Jack Kerouac e Allen Ginsberg...




Me sinto sim, nesse começo de noite angustiado, acho porque pensei na minha vida, acho porque pensei na minha morte.
Busco agora os subterrâneos, as áreas tranquilas,os recantos possíveis e impossíveis de minha própria criatura.
Mas se eu tivesse hoje olhado para o mar, tocado mesmos que de leve nos cubos do sal, nas minúsculas partículas de cloreto de sódio dissolvidas na vida da água, na vida dos peixes...
Agora vejo o céu e as miriádes de estrelas, absorvo uma por uma, vou de pólo à pólo roçando nas pontas dessas estrelas e roço meu rosto, e roço teu rosto e o rosto da eternidade. Agora toco na eternidade sem querer compreende-lá.
A agora se foi a angustia, o medo e o desânimo.
Agora posso dizer que voltei a ser gente, criatura, pedaço de sol, sol inteiro...

EDU PLANCHÊZ


Fiz parte da Gang Pornô...


Sou tão bonito,
os fios brancos de minha barba, de meus cabelos...a minha forma de ver
a existência... os meus medos são belos. Deixei marcas por onde andei, minha estada por esse planeta tem sido uma celebração. Pela fé cheguei até aqui, a poesia de minha fé meu trouxe as melhores pessoas, os intensos amores, o pão e a Coca-cola, as chaves que abrem a porta da minha casa.
Sou tão bonito, moço de hábitos sonoros, arquitecto de palavras, amigo verdadeiro, irmãos dos pássaros e das onças.
Vivamos por esse tempo repleto de borboletas espituais, porque a ele pertenço, sou filho da existência, das fartas mangueiras, dos pés de ipês amarelos, das plantas crescidas nas encostas. Então, por esse fim de noite inicio de manhã, nos abracemos diante do mar que viu as muitas embarcações, os heróis e os piratas, as rainhas e as batalhas de sangue puro.
Estou poeta, estou fincado na lama que deu início a evolução. Sou tão belo, e tenho-te como espelho, caríssimo(a) afeto.

EDU PLANCHÊZ

28/09/2008




TODAS FORÇAS CÓSMICAS ATUARAM A FAVOR DO MENGÃO NESSA RODADA:
A derrota do Grêmio, do Cruzeiro, o empate do Palmeiras e o empate do Botafogo...
Os Deuses do Futebol estão do nosso lado,
avante Rubro-negro querido!!!!!!!!!!!!! Está escrito há mais de cinco mil anos no selo eterno das cores que o FLAMENGÃO de Jorge Benjor e Gabriel Pensador tornar-se-á sobre todas as forças campeão brasileiro de 2008. Uso para tal profecia toda a devassidade de Sir Nelson Rodrigues, o cavaleiro trágico da nossa noite suburbana.


EDU PLANCHÊZ


Eu e Marilza


Manhã de domingo, setembro de um ano magnífico. Eu minha esposa querida Marilza Francisco nos preparamos para ir saracotear entre os legumes as verduras da sagrada feira da Glória. Mergulharemos na existência porque a existência foi feita para se mergulhar. Vivemos moramos no centro do Rio de Janeiro, e morar/andar pelas ruas do centro dessa cidade é pisar na história, na ancestralidade do tempo. Eu que tanto tenho rodado pelas múltiplas cidades desse país, cada vez que volto p casa, para os seios da capital carioca,
dos cariocas e de todos “minha humanidade cresce”, cresce o desejo de rasgar com os dentes da alma as muralhas da chuva, da chuva triste que habita muitos olhares. Eu que já mergulhei em muito poço escuro, mergulho agora no poço escuro iluminado de meu próprio ser cantante dançante. Passaremos por baixo dos artísticos Arcos da Lapa balançando nossos corpos de verão inverno outono primavera porque a existência é um continuo balanço e todos os mestres iluminados balançam comigo porque eu e minha querida esposa Marilza Francisco somos os reis da vida. Beijos e mais beijos

EDU PLANCHÊZ menino




- A ARTE DE VIVER




"O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida. Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos. E porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa a imitá-los. As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito.
Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe.
Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.
Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade. E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente. Mas infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até agora. A inocência não é instruída - mas também não é desejosa de ser instruída. Ela é totalmente contente, preenchida...
O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente, que eles renasceram...
Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação.
Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro homem que tivesse descido na Terra - que nada sabe e que tem que descobrir tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação.
O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade.
Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade.
E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...
Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.
A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração dela.
Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também... Um imenso silêncio e você é surpreendido - esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio de algum modo.
Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes artes - música, poesia, dança, pintura, escultura - são todas nascidas da meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a peregrinação - presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da fonte, talvez uma estátua.
Na próxima vez que em você entrar em um templo de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua... porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Buda ou de Mahavira...
Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso, mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir - ou você pode? Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior...
Uma certa ciência secreta foi usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato com as experiências das gerações mais velhas - não através de livros, não através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo - através do silêncio, através da meditação, através da paz. À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento a momento, uma alegria, uma celebração.
Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. Toda cultura criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na miséria, na tristeza... Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria.
Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida.
E a celebração não pode estar de acordo com o calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso.; ambos não podem ser verdadeiros. E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo em sua ansiedade.
A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração... Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se torna uma celebração contínua.
Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio. Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração.
O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! No escritório você era miserável - simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir.
Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.
Os últimos toques... sua morte não será feia como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo...
Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristeza."
OSHO, O Livro da Cura
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meu Odinzinho e sua mãezinha Rosinha


Manhã de domingo, setembro de um ano magnífico...
nos preparamos ( eu e minha esposa Marilza Francisco)
para irmos saracotear pelas atraêntes frutas e verduras da feira da Glória.
O Rio de Janeiro é um centro histórico, andar por essas ruas é pisar na história, tropeçar no tempo: passaremos por baixo dos artísticos Arcos da Lapa dançando,
porque dançar é tocar na pele do renascimento
e estou renascendo nessa manhã e em todas as manhãs vindouras.
Irmã/irmão de meu rosto, de minhas mãos, por todo esse toque,
por todo esse Rock, vos saúdo porque grande é o continente de meus olhos,
grande é meu peito e o teu peito, grande é nossa canção visceral.
Nada guardar, apenas guardar o que a íris fotografa.
BEIJOS E MAIS BEIJOS...

EDU PLANCHÊZ menino


ZECA DE MAGALHÃES

Esse mestre, esse irmão, esse amigo, circulou pelas mesmas ruas que eu... nasceu no mesmo ano, pisou comigo as pedras da Cinelândia, dormimos na mesma cama, na mesma casa do estudante universitário, fumamos o mesmo baseado. Corremos junto atrás das linhas da primavera e dos roncos do inferno. Roubamos livros, escrevemos livros, rompeu comigo e com outros irmãos a barreira das ignobis leis e da linguagem. Zeca de Magalhães sempre esteve agraciado em meu coração, dormindo ou acordado está em outra e nessa dimensão. Irmão, vos saúdo, por teu talento, por tua coragem. Ele não foi mais um que passou, deixou marcas profundas no eixo desse planeta balançante. Zeca foi para a Bahia porque tinha a carne de carnaval. Grande homem, amigo fiel, do pensamento, do vinho e da cerveja... da última vez que nos vimos, fomos no restaurante “Arcadas” aqui na Lapa Rio de Janeiro com uns amigos ( Cláudio Miranda- Pintor e Brasil Barreto- poeta)para bebermos umas Antárticas originais e falar sobre poesia, sobre a sua vida em Salvador e a nossa aqui na cariocagem. Tenho guardado em minha estante dois de seus livros “ filho do vento” e outro q não lembro agora o nome. Lembro de nos anos oitenta Zeca de Magalhães na Cinelândia em frente ao Amarelinho recitando um poema de Gregório de Matos Guerra. Em vezes, outras o encontrava vendendo livros pelas ruas do centro... Zeca foi ( é ) um ser humano impar, de grande personalidade e atitude. Sua obra deve ser amplamente divulgada, chegar as pessoas, as escolas, as novas gerações.
Zeca de Magalhães jamais deve ser esquecido.

“Em cada serra / encerra o vale / seus homens, suas águas / entre árvores / crescem, correm, somem / vem e vão/ como o vento / sol e chuva / é sempre o mesmo tempo / em tantos diferentes lugares...”

Zeca de Magalhães


Texto de EDU PLANCHÊZ

20/09/2008

ONDAS DE ESTRELAS DE LEITE


Ondas de estrelas de leite
Ondas de luzes circundam tua cabeça

Raiada
Você é mulher
rosto humano diante do meu rosto vivido
esticando dedos e fios para atravessar
o sutil canal da transparência

Gostaria de escrever com menos profundidade
mas sou das profundesas
e nas profundesas reside o sexo,
o sexo de Alice
(astro que arrasto por esses dias de progresso
e progressões)

Sublimo o desejo para encontrar desejo
no talento dessa que ora me ouve
Minha poesia que tanto cospe não cospirá
nada tão pontiagudo sobre as celulas dela
criatura que me ouve
Vou chamá-la de Patricia Galvão
porque senti saudades daquela quebrante poeta

Vou chamá-la de translação de luz com Vênus
(lua no lugar de luz)
errando também se acerta e o poema de Alice cresce na barriga de Alice
cresce na minha barriga

Alice me pede q não só à olhe pelo ângulo da anatomia pélvica
mas q eu à olhe como pessoa,
não como refeição, sanduiche, salada de atum, sorvete de cabelos...

Essa minha irmã floresce agora que é primavera transcendental



EDU PLANCHÊZ
Bem antes do Egito eclodir

“O mundo teme o tempo, mas o tempo teme as pirâmides.”

Estranhas naves chegaram até a Terra
e os homem e as mulheres precisaram se esconder
para não conhecerem em seus corpos a extinção

Bem antes do Egito eclodir
sob as lages do Nilo se deu essa cena

O céu se abriu e a carroça de fogo ornada
saiu das entranhas do momento
levando os que compreendessem
o que ocorria para bem longe do azul,
para bem longe das trágicas epopéias
( assim diz as escrituras )

“O mundo teme o tempo, mas o tempo teme as pirâmides.”

EDU PLANCHÊZ

video


P o r t a
t a p e t e


Porta tapete,
meus pensares disparam pigmentos
sobre os pináculos da porta tapete de insetos e outros viventes

Abro o losângulo de madeira,
abro os filamentos que nos levam às luzes da rua,
aos "cantos de Maldoror"

Enquanto houver a lembrança,
um poema de edu planchêz perambulando
pelos quarteirões do mundo,
o simbolo estará preservado.

Os homens sem simbolos mastigam o hamburgue
de suas próprias trajédias
palitando os dentes de sabre
com a ponta mais suja da história norte americana

EDU PLANCHÊZ




ESSE ESCRITOR NÃO PATINA EM LÂMINAS DE AREIA
(à Rosa Kapila e à José Saramago)


O escritor assume a forma tubular da caneta
e não escreve nomes
e escreve todos os nomes sem precisar escrever

Em noite de vitória do time do Flamengo sobre o do Goiás
o escritor inventa a sombra e o filme
com a intenção de esticar os ponteiros
até o olho beber o líquido cristal
que imprime sons nas glândulas do sono

Orgulhoso de seu talento,
desordena idéias, estraçalha palavras, desorienta frases
O escritor faz das letras a espada e corta o pão de chumbo

Essa espada é a ferramenta que ele toma desse tempo
para descompor a mesa de sua passagem

O escritor assume a forma tubular da caneta
e não escreve nomes
e escreve todos os nomes sem precisar escrever

No sangue há insegurança,
ele não lhe dá ouvidos,
esse é o seu momento,
esse escritor não patina em lâminas de areia

(Edu Planchêz)


EDGAR CAICE
(palavras clarividêntes)

Edgar Caice
na noite iluminada por neurônios
erguia colunas de palavras clarividêntes
para que os olhos dos vindouros estouracem de tanto ver

E o que ver mergulhando de cabeça
nas clavas das faces do homem eclípsi?

Qualquer um pode mergulhar
no reservatótrio memória
de todos os acontecimentos

O que foi escrito
pode ser modificado
segundo palavras do Mestre cristal multifacetado

Minha vidência é mínima
diante dos clarões que marcaram o Mestre

Nada vejo quando toco as sombras das espadas
Tudo vejo ao beijar os ângulos da boca que tudo diz

Prendo as pontas do cabelo nos espinhos desse tempo
para que a resa das rosas da Ilha de Páscoa
reanimem os Gigantes

Gigantes reanimados,
aparições jazem aqui e ali,
cruzo a fronteira, o raio linear da lua de barro

Agora reduzido a pó de ouro, segrédo aos vultos: "nada sei"
Grito aos grossos ventos: "nada!"

Dentro das mandíbulas da morte
Dentro da cavidade crepuscular de todos os sonhos,
assopro!

EDU PLANCHÊZ


MAÇAS & URTIGAS

Esperando a maçã rolar
entrando vermelha
nas urtigas do poema

É a revolta dos cantores e das canções,
dos atores e das pilastras do teatro

Tudo se revolta
quando ligo os descontroles,
a veia torta da cabeça,
a árvore articulada que é restante do corpo

edu planchêz



Videntes e Sonambulos


Vidente e Sonambulos
caminham por dentro da tromba do elefante
que sustente o Globo

Eu na ála laranja da casa dos escritores( estraordinários)
cosendo com as linhas do vendaval
as barras dos livros

Videntes e Sonambulos
dormitam no fundo da garrafa
de letras líquidas

Eu no átrio sem cor
da caixa de sapatos do homem louco
roçando a cabeça
nas engrenagens do relógio de areia

Videntes e Sonambulos
se encontram no meio do oceano Pacífico dos Homens Pássaros
a três mil quilômetros do continente

EDU PLANCHÊZ



CONSTRUTORES DE CABEÇAS


A natureza se vinga,
gesta o vento de cem mil pés,
arrasta duas mil cidades por segundo
A onda gigante come as pernas e os braços dos continentes
E aquele que apodrece o céu, o mar e a terra
clama inocência

Caixões feitos de dinheiro
cobrem os vastos campos
Minhas lágrimas não irão secar
junto com as nascentes
Tempo de desespero de planetas e homens,
o tiro saiu pela culatra,
nada tem detido a avalanche,
nem deuses, nem internautas
Sou poeta, homem de fé inquebrável,
cavalheiro de infinita esperança

Como Bob Dylan e outros construtores de cabeças
ergo taças de sangue
atirando dardos de coragem
aos que estão perdendo a batalha

O poeta príncipe de metal
acorrenta os cães
dos dentes de estricnina a sua cintura,
arranca do pâncreas das águas o tumor

Ele, o Rei de marfim, sustenta congressos de sóis
nos corredores do intenso
e espalha especiarias orgânicas
dizendo aos seus irmãos que façam o mesmo

Orquídeas imensuráveis precipitam-se
dos furos das pedras e das cavidades vermelhas
alargando pétalas sobre os corpos
das estrelas que esqueceram que são estrelas

(Edu Planchêz)

PARA A PEQUENA GRANDE MARILZA MORRER NASCER


“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

O suco do milho roxo mexicano caminha
no éter das naves vistas por Ezequiel...
rabisca os céus de todo o continente...
circulando pelas espirais fantasmas...
para em minha caneca de ágata ser a bebida...
para nos tonéis das indagações provocar tragédias intransitivas...

“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

Fantasma Deus dos buracos,
eu te destroço decantando suas vísceras vazias
Eu sou a resposta
Abaixo venham todos os totens erguidos para nos subjugar
Ovelha aqui, é o meu lanche

“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

O espaço de um poema é minuto para revelar a dimensão estrondosa
das mentiras acatadas como verdades
Perguntar ao fígado quem inventou o conceito
de um ser onipresente que manipula os viventes:
metralhar esse assassino com chuvas histéricas

“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

Possuir nada mais que um bilhão e meio de grandiosos livros
entranhados na cachola
respeitando o vizinho e o “chamado selvagem”


(Edu Planchêz)

LATITUDES DO ESCORPIÃO" de Edu Planchêz
Trecho da quarta capa do livro "LATITUDES DO ESCORPIÃO" de Edu Planchêz
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Toda a obra de Edu deve ser lida como uma descrição direta ou como um poema transcendental. Suas conotações convidam à conclusão ambígua de toda a sua poética. Toda a sua poesia é metafísica, baseada na proposição de que as coisas não são o que parecem.
Sabe-se que a poesia não pode ser captada apenas pelo trabalho mental. Seu processo é fundamentalmente misterioso, envolvendo uma crença total de todo o ser, alguma espécie de poder mágico.
A poesia de Edu mantém-se fiel à qualidade imaculada do ego na infância, a primeira perfeição da vida, mas reconhece as mudanças do universo, o inevitável confronto do homem com o tempo, com a resolução encarada como uma tensão de opostos. Edu possui intuições que o conduzem ao coração das coisas e o seu poema transforma-se em afirmação definitiva, como algo que vale a pena ser afirmado. Sua arte não é mera construção preparada.
Alguns de seus poemas parecem emprestar-se, uns aos outros, tanto no contexto quanto ao relacionamento de referência e ressonância.
Os acidentes da composição artística de Planchêz são acolhidos de epígrafes de vários tipos, epigramas, versos líricos, discurso, construções de memórias, ou pretensa memória e até de uma história que está implícita. e qualquer um de nós poderá adicionar o que deve ser dito.
Com vocês, Edu Planchêz. Um poema e o próximo.

Rosa Kapila

Santa Teresa (Rio /RJ) 17 de junho de 2007
Rosa é autora de 14 livros de ficção , é doutora em literaturas.
Leciona na Uiversidade Estácio de Sá, em vários campi do Rio de Janeiro.
Idealizadora da Comunidade Café Literário Fernando Pessoa.
Blog: www.rosakapila.zip.net
O PAU DURO CONTEMPLANDO O GRELO ENCARNADO
É UM RELÂMPAGO DEVASTADOR
(A porta se abre com a fúria do sopro sinfônico)
(à Maria Pintora Frida de São Luís )


Os casais adoecem de tanto brigar, inglória atitude,
impotência, morbidez injusta, cegueira, falta de tesão, pica inútil,
xereca vazia, caralho que nunca vê o sol,
buceta arreganhada para nada

Minha poesia adora ver a porra encandecente transbordar
o canal da vagina, o útero, o ventre, a boca, o anus
e escorrer sem parar pelas coxas gargantas
até o sul da criança rubi

Foder até a foda se tornar um livro de histórias
Foder até o fim das guerras idiotas

O pau duro contemplando o grelo encarnado
é um relâmpago devastador

Pablo Picaso dorme nu sobre a sombra das tintas
de suas mulheres toreadas
A lança que não fura o boi atravessa as bolhas
que se formam nas camadas tênues
da geométrica vontade

Rei e Rainhas brincam de brincar
diante da porta do templo da gestação
A porta se abre com a fúria do sopro sinfônico
A porta se abre para espalhar o pigmento
do fascínio ensurdecedor


(Edu Planchêz)






- O LIVRO

"Os beijos das estrelas chovem sobre seu corpo".
( Aleister Crowley)
(Ao meu irmão Marco Antônio)

Os fios que cobrem o tecido do braço são feitos de perfumes
Creia que o meu e seu corpo hospedam bilhões de florestas

A confiança nos levara ao trono dos pássaros
e você poderá dizer
que o meu e o seu cabelo servem de ninhos
para os celestiais depositarem os ovos

Apesar das ruas andarem turvas,
trafega com vossas luzes por cada rosto
Os que conhecem o espírito do frio
poderão encaixar o sol nos furos do vento
e nas cavidades do olhar

Encontra no gato um antigo irmão
e no cachorro a voz de nossas mães

Filhos e filhas da Grã-Sonata! Reais minérios, a liga,
ponte que nos ata ao dom delirante dos caramujos

Dizer que o galo vermelho anda solto na voz da mulher de negro,
é afirmar aquilo que os lábios de Raul Seixas espalhou
por nossos braços e costelas

maio 2004

(Edu Planchêz)
A CAMA DOS PÁSSAROS MERGULHADORES

Sentados(eu e meu filho) no beiral Ipanema do continente,
simples marines sem fardas observando o mundo das espumas se espatifar
sobre o reinado verde marrom dos mariscos

Deitados nos nervos do sol
guardado pelas pedras(eu e meu menino)
passageiros da filosofia
descobrindo a alegria de comer (com areia)
pão francês agraciado pelo queijo minas

Nem havia sol 49° para nos fundir
mesmo assim reluzimos os guizos de nossos corpos
tomando do mar o horizonte e as ilhotas
que penso serem a cama
dos pássaros mergulhadores

jan 2005- Rio

(edu planchêz)

NO SOLO DA REALESA

Nos solo da realesa
o leão q fugiu da jaula impera,
ele é o alaúde das origens

Sempre esteve ( o felino)
nas dobraduras do papel,
fora escrito naquele papel a epopéia
de mundos imaginários

Os mundos imaginários
nascem no observar das pinturas
gestadas pelos ancestrais

Foi assim q nasceu o cinema,
dos jogos das sombras,
dos tambores ritualescos,
do canto esfumaçado fazendo imagens
sombras,
nas costas do fogo,
no peito dos homens,
no ventre volátio das feiticeiras dançantes


EDU PLANCHÊZ




Meus rins conclamam o exercito de mágicos!



As frutas que apodrecem antes de amadurecerem
engrossam a esquadra dos assassinos
A encardida nuvem cobre a cidade
tornando ruas e praias ninhos de vermes,
pátrias intransitáveis, sítios alagadiços

Meus rins conclamam o exército de mágicos!

Está escrito no mar uma cidade sem fronteiras
de mulheres e homens de cabeçorras privilegiadas
construtores de navios e salinas
Os habitantes da "Maravilhosa" colhem no lume dos tijolos
o humo para arquitetar os novos monumentos

Meus rins conclamam o exercito de mágicos!

A esquadra de assassinos possue musculos e ossos,
nascimento, velhice, doença e morte

Tempo soprado pelos lábios de Allen Ginsberg,
vos pergunto,
em que terra descança as ossadas de Átila ( rei dos Unos)?

Meus rins conclamam o exército de mágicos!

Somente por meio de símbolos posso indicar
os passos que levam aos portais
Somente beijando teus lábios

Meus rins conclamam o exercito de mágicos!

Rio, janeiro de 2007


EDU PLANCHÊZ


uma vela de palavras


A primeira letra da palavra planta é a primeira
e a antepenúltima da palavra papel
Falar de letras e de seus respectivos lugares numa palavra
aparenta ser assunto descabido

Letras esparramadas sobre os cílios
das estrelas de vinte pontas
O que dizer delas? ( as estrelas )
O que dizer quando nada deve ser dito?

Escrever para não ser publicado no Caderno B
e na Folha Ilustrada,
apenas para nos embalos da internet mover-me

Você que ora é tocado por esses símbolos do comunicar,
sáiba que vivo cantando a Lapa, seus heróis, lendas e histórias

Abri mão de inúmeros privilégios
para em meio aos malandros seduzir os girassóis

O Rio de Janeiro é tão perto,
poderá alçá-lo estendendo sobre os mastros
do corpo uma vela de palavras


EDU PLANCHEZ

bom porque quero



Aves de sangue
pairam para sempre
sobre os céus dos meus poemas
Para sempre sobre os céus de meus poemas,
teu rosto, tua carne...

Reflexos
estilhaços
aranhas luminosas
em forma de túnica
pousam nos pincéis
de minha cabeça planeta

Dormirei com essas imagens...

Alma de vento e perfume
aqui um domingo



edu planchêz

19/09/2008


PARA OS OLHOS DE LEILA MÍCCOLIS


EU SOU ALLEN GINSBERG
uivando nessa devassa noite manhã...
e para todos os outros vagabudos iluminados
porque provo do tempo o licor do envelhecimento
e a próspera juventude cravando meus passos
na terra virgem e crua

O sol ainda não nasceu...
espero seus finos raios descerem pelo vitrais
e tocarem a moldura das janelas de minhas faces

Sei que bem rente ao paraparapeito da eterna vaidade
moram risonhos casais de seres imaginários,
moínhos que só as crianças conseguem ver...


EDU PLANCHÊZ

Reflexões sobre os zoológicos

(Aos nosso irmãos
harpias, lamas, urubus reis,
babuínos sagrados,
macacos de sacos azuis,
dromedários,
elefantes, girafas, condores,
mochos, macacos de cheiro, hipopótamos,
gaviões, pumas, panteras,
onças, papagaios,
cascavéis, lobos,
antílopes,
cisnes, antas, porcos espinhos,
araras azuis, tucanos...)


A alma dos bichos se contorce
nas profundezas dos cilindros
do homem que arrasto
(pelos ponteiros cruéis do mundo)

As bilhões de espécies passeiam
por dentro das letras,
por dentro dos órgãos das letras

Ver almas selvagens trancafiadas
mata o que por dentro pulsa

Aves negras
Aves brancas
Aves com mais de cem cores
sofrem lado a lado
dos outros irmãos
e irmãs da intensa mata
É humilhante!



EDU PLANCHÊZ

JORGE CAVALGA

Jorge cavalga
sentado na gema do ovo
minha cabeça

Penso no guerreiro
desafiando
as entranhas de mim

Pelos cendeiros do mundo,
assino tratados,
traço os mapas
que meus gigantes pés
irão pisar
fitando as pupilas de Jorge

Jorge cavalga
sentado na gema do ovo
minha cabeça

Todos os transes da lua
habitam os pilares
de nossa casa
Jorge é o mestre
de todos os jogos da sorte

Místico poema
Místico encontro

Os cavalheiros raiados dançam
(com Jorge)

Jorge cavalga
sentado na gema do ovo
minha cabeça

Edu Planchêz