01/12/2008



A escrita cantada



A diferença entre Caetano Veloso e eu é a fama, nada fico a dever a nenhum poeta do planeta, nenhum mesmo. Não invejo o espaço que as pessoas conquistaram a duras penas no coração do mundo. Mas afirmo que minha produção literária e minhas canções viscerais não devem nada a ninguém. Confio profundamente em meus filhos poemas e canções, não guardo sombra de dúvidas que querendo ou não já fazem parte da história pulsante da arte viva da civilização humana, e é uma questão de tempo para que se tornarem conhecidas, aplaudidas, copiadas, imitadas por todos os povos.
Falem o que quiserem falar.

Quando comecei a cometer a poesia, falei pra mim mesmo " serei um dos maiores do mundo", mas jamais concebi caminhar poéticamente sem o lastro da música. Caetano Veloso sempre foi para mim um poeta luminoso que me apontava caminhos, sempre o vi como um deus; se hoje consigo me expressar com habilidade nas letras, devo muito a esse mestre guia espiritual humano de uma civilização inteira. Juro que tremi quando o encontrei lá no Letras, não sabia onde pôr a cara, as mãos, o corpo inteiro. Não sei se canto bem ou mal, mas gosto de gerar canções, usar as vísceras para isso fazer. Sei que o poema é música e caminha com sua próprias pernas sem precisar do complemento instrumental. Adoro cantar e continuarei cantando, sabendo sim que a poesia é o meu fluxo principal. Tenho como espelho nesse translado cantante o exemplo de Bob Dylan, Bono Vox, Cazuza, Jim Morrinson, Renato Russo... entre outros irmãos da escrita cantada. No meu entender, levar a visceral poesia para o pop, para o rock, para a canção é uma forma mais extensa de adentrar-se pelos lares desse país mágico, sonho do novo, nação de todas as nações (Tico sabe disso). O Brasil é negro/índio, terra perfeita para o oculto fazer sua gira. Nós aqui no papel de gira mundos, prontos estamos para rufar os tambores da selva absoluta. Para isso venho me preparando há anos, construindo célula por célula esse universo contagiante, estudei canto, aprendi de certa forma tocar um instrumento (e "como é bom poder tocar um instrumentú"), juntei músicas, pessoas, montei uma banda (BLAKE RIMBAUD) . Varei esse país com meu canto espada de orixá de fogo, agora e pra sempre. Os livros também virão. Eu tenho um sonho e esse sonho é terremoto abrindo o chão e as cabeça.

Edu Planchêz

2 comentários:

sil disse...

Infelizmente nessa densidade absurda em q vivemos muitos anos são necessários para o que muitos disseram seja entendido ou até msm visto , mas acredito que todo trabalho tem sua repercursão em níveis superiores os quais apesar de parecerem distantes, estão em plena e total atuação...qto as perguntas sem respostas...só msm o tempo pode esclarescer algo sobre elas...afinal"o tempo sabe coisas q os dias desconhecem"...bjs poeta!

Juliana Porto disse...

Sempre honesto e com muito ritmo.

Sorte ou não. Aparecem pessoas assim como você,na minha vida, tão doce e que sabe usar as palavras.
Amo teus escritos.

Abraços , poeta.